Sobre as listas que nos aprisionam e a Síndrome da Mulher Maravilha

Estava pensando esses dias em como já tive tanta disciplina pra executar mil tarefas no dia. Já fui bem orgulhosa dessa capacidade multitarefa que atribuem às mulheres como uma característica inata, mas que na realidade é só mais uma forma de nos controlar e nos distrair do que realmente importa.

Certamente você conhece alguma mulher que dá conta de casa, companheira/o, filhos, trabalho, etc.. O problema, pra mim, começa quando romantizamos essa “super-mulher” que acorda de madrugada, dorme poucas horas, vive cansada mas dá conta de mil e uma coisas. Ano passado eu caí nessa armadilha também e o resultado foi uma estafa física e mental no final do ano.

Tive que assumir que não tenho mais a disposição e energia que tinha aos 20, do mesmo jeito que não tenho as mesmas preocupações. Naquela época, a questão era sobreviver sozinha em uma cidade desconhecida. Era escolher entre andar à pé e comer ou andar de ônibus e ficar com fome.

Hoje tenho uma vida mais estável, um teto todo meu e uma companheira que me apoia e divide as tarefas domésticas comigo. Então, ciente desse privilégio adquirido, decidi diminuir a minha lista de tarefas.

“Uma lista interminável de coisas para fazer é uma tática infalível de aprisionar uma mulher”. Vi essa frase no site do @planejamentoselvagem e pensei no quanto a gente precisa repetir o óbvio pra nos convencermos de que nem tudo depende da gente.

Acho que aprender a dizer NÃO é a chave. Principalmente, pra quem trabalha home office, uma organização do tempo e das prioridades é essencial.

Minha orientadora italiana, costumava dizer, diante da minha ansiedade juvenil: “Tutto sarà fatto”, ou seja, “Tudo será feito”, independentemente de que eu esteja lá ou não. Aprendi à duras penas que não somos essenciais ou insubstituíveis e que nem tudo está sob nosso controle.

Me questiono também se essa urgência de fazer mil e uma coisas não é uma necessidade (imposta) de ser reconhecida, sabe? O fato é que não quero reconhecimento ao custo de estar doente física e mentalmente.

Já pensou sobre isso? Tá disposta a diminuir o ritmo e se cuidar mais?

Foto: Arquivo pessoal

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