Revolução solar ou como uma filha Oya resiste a um ano de Ogum

Escrever é um exercício diário e ano passado escrevi pouco, eu acho. Na verdade, eu sinto. Muito. Assim, decidi que em 2019, doa a quem doer (mesmo que doa em mim mesma) vou escrever mais, vou publicar mais também porque a gente precisa se livrar do que escreve para ser livre. <o amor só dura em liberdade>. É terapia. A gente só elabora quando bota pra fora.

Eu juro que queria ficar de boa e curtir minhas férias e não fazer nada, só viajar, ver séries e ler livros de literatura, mas esse “ócio” só perturba o meu juízo. Minha mente inquieta coluna torta e coração intranquilo pede planos, nem todo mundo nasceu para ser zen. Aí percebi que preciso viajar, ver séries, ler livros de literatura e escrever. Poesia, prosa, pesquisa científica, o que for… qualquer coisa que dê sentido à minha vida.

Às vezes, me sinto incapaz, perdida. Me pergunto como cheguei até aqui. Me sinto uma falácia. Faz um sol desgraçado lá fora e aqui dentro chove. Vou seguindo, seguindo e tenho medo que o tempo passe e eu ainda esteja me perguntando isso daqui cinco, dez anos. Future me, como carajo cheguei até aqui? O que eu busco, afinal?

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Minha terapeuta diz que a falta faz parte da vida e a gente vai preenchendo o vazio como pode; ninguém disse que era fácil crescer. Aí eu choro um pouco porque hoje é o primeiro dia do ano de Ogum, ano de colheita, e minha revolução solar diz que vou começar um ano pessoal número 1, ano de plantar. É nessa confusa contradição que eu vou caminhando porque nunca fui de desistir <vai com medo, mas vai>. É difícil ter um sol em Aquário.

Meus 3.5 estão chegando em fevereiro, nesse meio termo entre o verão e o outono que nem temos no Brasil, quiçá no Nordeste. 1984 foi um ano heavy e os orwelianos carregam esse karma que acaba virando mantra porque é uma existência que dói mas que faz a gente crescer. Em 2019, como boa millenium só desejo resistir ao inferno astral que se inicia e desejo, com todas as forças que escrever seja o meu paraíso.

Dia Nobre é escritora e PHD em História. Autora do livro Todos os meus Humores (Penalux, 2020) https://dianobre.com

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