Quem tem medo de uma escritora lésbica?

Eu acho engraçado o fato de perder seguidores quando posto “algo lésbico”, seja do meu relacionamento com minha esposa, seja da literatura produzida por mulheres lésbicas ou ainda quando comento algo relacionado ao universo lbt. Semana passada foram mais de 50 que saíram no domingo quando postei uma foto com a minha esposa.

Acho engraçado porque me questiono o que faz pessoas lesbofóbicas me seguirem em primeiro lugar. Tá lá escrito na minha bio que aqui é o perfil de uma sapatão, pelo amor das deusas.

Parece que é aceitável seguir uma pessoa lésbica, mas só até o momento em que ela não parece tão lésbica assim. Vamos deixar que escrevam, vamos deixar que publiquem, mas não vamos permitir-lhes o afeto público e o domínio de seus corpos.

Já falei sobre isso várias vezes. Em agosto do ano passado mesmo, durante o mês da visibilidade lésbica, fiz lives, indicações de livros e filmes, mas só perdi seguidores quando postei uma foto dando um selinho na minha esposa.

E quer saber? Tô meio cansada disso. Não me importo com a perda dos seguidores em si, me incomoda a lesbofobia descarada e sem vergonha. Aí venho eu novamente falar sobre LESBOFOBIA.

A lesbofobia envolve muitas questões:

- Está relacionada à intersecção entre homofobia e sexismo;
- Está relacionada à heterossexualidade compulsória.
- Não podemos ignorar o fator raça. Lésbicas negras são mais invisibilizadas por estarem fora do padrão de branquitude.
- Envolve o poder dos homens em:

a.negar a sexualidade das mulheres;
b.explorar o trabalho das mulheres, seja o reprodutivo ou o material;
c.confinar as mulheres física ou psicologicamente;
d.usar as mulheres como objeto: prostituição, pornografia, escravidão sexual ou doméstica;
e.restringir seu acesso à educação e aos lugares de poder.

Segundo Elizabeth Bartle, a existência lésbica é tão ofensiva ao patriarcado que a visibilidade lésbica é frequentemente usada como uma justificativa para as agressões.

O Dossiê sobre Lesbocídio no Brasil, aponta que “a maioria dos assassinatos registrados entre 2014 e 2017, 72% dos casos de lesbocídio (homicídio de mulheres lésbicas) ocorreram em vias públicas e 28% aconteceram nas casas das vítimas; em 64% dos casos registrados entre 2014 e 2016, as lésbicas foram agredidas ou mortas por pessoas conhecidas e com vínculos afetivos ou familiares”.

Diante desses dados, precisamos ficar atentas às pessoas que nos cercam, pois quando uma mulher escolhe ficar com outra mulher, ela envia uma mensagem de resistência e isso assusta o patriarcado.

Nossa existência apavora o conservadorismo e o domínio masculino, mas nós continuaremos existindo.

Ninguém vai nos colocar no armário de novo.

Photo by V T on Unsplash

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