Quem lacra, lucra. E muito!

Capitã Marvel e a lição de feminismo que os homens vão ter que engolir

Ontem assisti ao lindo-maravilhoso-melhor-filme-da-Marvel-ever Capitã Marvel, dirigido pela Anna Boden e com roteiro de Kelly Sue DeConnick. Confesso que não sou leitora da heroína, mas ela já se tornou a minha favorita. Carol Danvers (Brie Larson) surge nos quadrinhos, na década de 1960 como uma oficial da força áerea dos Estados Unidos. Ao ser pega em uma explosão de um dispositivo alienígena do povo Kree, é salva pelo Dr. Walter Lawson (o Capitão Marvel) e ressurge com superpoderes.

Nas telas, a história foi recontada de um ponto de vista totalmente feminino. O Dr. Lawson é substituído pela Dra. Lawson e Carol, após ser atingida pelo dispositivo de energia Kree e perder a memória, é sequestrada por Yon-Rogg que a faz acreditar que ela é uma soldado Kree. Bom, aí quem não assistiu vai lá ver o desenrolar da história. Você não vai se arrepender!

Mas eu queria falar aqui, na verdade, sobre minha impressão sobre o filme, após ter lido as muitas críticas que o filme sofreu em vários blogs nerds comandados por homens e dentro do próprio MCU.

É, a existência de uma heroína, projetada para ser “a mais poderosa do Universo Marvel” machuca a masculinidade frágil.

O filme traz a experiência de uma mulher que durante toda a sua vida teve que escutar que não conseguiria fazer as coisas que queria por não ser como um homem: jogar futebol, andar de bicicleta, entrar para a força aérea americana… E não é que ela conseguiu? Ela descobriu em si a força para enfrentar todos os desafios impostos por essa sociedade machista e patriarcal em que vivemos. E quantas mulheres não são heroínas todos os dias na anonimidade de seus lares e em seus lugares de trabalho?

O feminismo não é “lacração”, o feminismo é luta cotidiana, é desconstrução diária.

O filme é uma lição de empoderamento feminino. De como, ao tomarmos nossa vida nas mãos, podemos fazer coisas maravilhosas acontecerem. Carol Denvers não fala de feminismo, ela o coloca em prática, o que é muito melhor. Quando vejo mulheres falando que “odeiam feministas”, penso muito em como esse sistema causou danos profundos à autoestima feminina, nos fazendo acreditar que não somos capazes de muitas coisas.

Outro elemento importante é que, ao contrário de filmes como Mulher Maravilha e Mulher Gato (que é péssimo, por sinal), Capitã Marvel não precisou usar como pano de fundo nenhum romance sexual para fazer sucesso. Ao invés disso, traz uma história de amor entre amigas e mostra como as mulheres podem ser poderosas quando se unem. Sororidade é o nome. Fortalecer nossas colegas, amigas, companheiras, apoiá-las em seus projetos.

E para aqueles que falaram que “o gato salvou o filme”, desculpe, queridos, mas na verdade, Goose é uma GATA, poderosíssima também, ao contrário do “macho humano fraco e com potencial inexistente de ameaça”.

Capitã Marvel estreou na bilheteria mundial no primeiro final de semana com 455 milhões de dólares. O lacre foi lucro certo.

p.s: Pra quem quer saber mais sobre o universo feminino nos quadrinhos, indico o blog Delirium Nerd (ela está no Instagram também). Sigam lá!

p.s.2: Vejam também o texto da Grazie aqui no Medium!

Dia Nobre é escritora e PHD em História. Autora do livro Todos os meus Humores (Penalux, 2020) https://dianobre.com

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