Perigo: não alimente os haters

Este ano minha página no Instagram completa dois aninhos e como eu, ela mudou bastante.

Comecei publicando minhas próprias poesias e, aos poucos, minhas crônicas de uma millenial inconformada. Depois, comecei a ler e a falar sobre feminismo e sobre literatura produzida por mulheres e sobre gatos e meu livro e escrita… Ufa!

Como toda moeda tem dois lados, tive que aprender a conviver com os comentários de pessoas que não estão nenhum pouco preocupados em dialogar. Admito que no início, me preocupava muito receber um comentário de ódio, e, acreditem, já recebi muitos.

Alguns comentários me deprimiam, me deixavam estressada e de mau humor. Me questionei, se valia à pena continuar, principalmente, porque ao mesmo tempo em que os comentários negativos ou ofensivos me deixavam mal, eu também me culpava por querer apagá-los.

Muitas pessoas não estão interessadas em um debate construtivo, mas apenas em destilar ignorância e ódio. Então, eu percebi que estas criaturas desocupadas que vivem em um vale profundo de estupidez e incivilidade, não merecem nada do meu tempo e energia.

Se antes, nos anos 2000, quando da criação dos blogs e redes sociais, os comentários se apresentavam como uma ferramenta de aproximação entre pessoas que, em outro momento da história, nunca poderiam se conhecer, hoje, eles se tornaram uma fonte de ansiedade para muitas pessoas.

O principal problema é que muita gente nem lê o texto da legenda (porque achou longo, tem preguiça, etc.), mas tem necessidade de comentar algo baseado meramente em “minha opinião” (isso acontece muito!).

Cansei de receber “feedbacks” de caras (sim, a maioria são homens) que não leram o que eu escrevi, mas se sentiram no direito não somente de discordar, mas de rebater com algum achismo tirado do fundo de um cérebro misógino.

Jaime Hancock em uma matéria no El País (26.03.2016), cita um estudo feito pelo Washington Post sobre os trolls em fóruns: «‘quem escreve posts de baixa qualidade escreve mais quando recebe atenção negativa. Além disso, a qualidade de seus textos se deteriora’. Não se trata apenas de que não se deve alimentar um trollador, e sim, que ‘o feedback negativo pode criar trolladores’».

Não é à toa que muitas páginas com conteúdo maravilhoso não possuem tantos seguidores, enquanto outras possuem milhares. Eu, sinceramente, prefiro continuar produzindo algo que realmente contribua para a construção do conhecimento e, pra mim, apagar comentários ofensivos e bloquear seus autores, não tem nada a ver com cerceamento de liberdade de expressão nem com não aceitar críticas.

Aliás, críticas produtivas são sempre bem-vindas, e, embora eu não possua muito tempo para responder comentários, quando eu vejo que a pessoa realmente quer conversar, eu me disponho à tal porque também estou aqui para aprender. Creio que uma das funções de quem produz conteúdo para a internet, é essa: fazer crescer uma rede de conhecimento baseada no respeito e na compreensão do outro. Menos com relação aos trolls e haters, esses, eu bloqueio mesmo.

Imagem: Canva

Dia Nobre é escritora e PHD em História. Autora do livro Todos os meus Humores (Penalux, 2020) https://dianobre.com

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